Qual o Ritual mais importante que um Mago pode fazer? (Parte 3)
- Johnny Rodrigues

- 2 de abr. de 2025
- 5 min de leitura
Obviamente, para se ter uma vida melhor e ter mais entendimento e conhecimento, para enxergar as coisas como elas realmente são, é uma etapa importante para o mago e para a bruxa, pois, se você busca realizar trabalhos de magia e seguir orientações espirituais, uma etapa fundamental é ver a realidade objetiva e não subjetiva, porém como notar a diferença?
De fato, elas parecem muito comuns olhando de um certo ângulo, porém a realidade subjetiva, isto é, a realidade que nós criamos, baseada em nossas crenças, atitudes, valores, sentimentos e principalmente expectativa, acaba sendo bem diferente no seu resultado final, pois tendem a levar a resultados completamente diferentes.
Em primeiro lugar, é importante aceitarmos que não estamos enxergando a verdade e a realidade como ela é, pois é tolice ensinar aquele que acha que já sabe. Pois, no mesmo momento em que o tolo acredita que já sabe de tudo ou de pelo menos o que é necessário, automaticamente ele enviará para o seu cérebro e também para o plano espiritual essa informação, e portanto, seu mundo se tornará muito mais limitante, e a chance dessa pessoa se ofender com a verdade ou facilmente entrar em negação é muito grande; nesses casos, é perda de tempo, infelizmente.
O fato inicial é relativamente simples de entender e, da mesma forma, poderemos usar um exemplo simples:
Quando alguém diz para você sobre uma fruta que você conhece, automaticamente a tendência é que você tenha uma imagem daquela fruta; talvez se lembre do seu sabor ou textura. Você precisou usar a sua memória, suas lembranças e os seus sentidos para revigorar e trazer a lembrança e o aspecto da fruta. De toda forma, você a conhece assim. Agora, se uma pessoa diz para você trazer uma fruta que você nunca viu, não sabe o nome, nem a textura, muito menos seu sabor, as coisas se complicam.
Outro exemplo: quantas vezes, ao longo de nossas vidas, alguém vem falar sobre uma pessoa que não conhecemos, porém essa pessoa tem um ponto de vista negativo sobre ela e, automaticamente, você começa a formular a imagem daquela pessoa? Supondo que ela te mostrou uma foto dele(a), a tendência é que não demore para que você veja aquela pessoa não realmente como ela é, mas sim a sua projeção que você tem sobre ela, então quando se encontrar com ela pessoalmente, já não terá uma boa impressão, mesmo que não tenha sequer falado com ela ou conhecido ela de fato.
O fato é que nada tem significado; somos nós que damos significado às coisas, e a forma de entender seu significado e fazer uma conexão com ela, é levando em consideração o que já mencionei: "nossas crenças, atitudes, valores, sentimentos e também expectativa".
Ou seja, tudo que vemos ao nosso redor – os animais, a natureza, as pessoas e os elementos – de fato são reais e "puros"; porém, para a nossa cognição formar uma imagem ou uma ideia, para que aquilo que estamos vendo faça sentido, nós criamos uma projeção sobre aquilo, isto é, uma ideia ou uma sombra, para que aquilo faça sentido para nós. Isso faz parte da natureza humana de certa forma, e brigar com isso não é exatamente a solução, muito menos querer mudá-la, visto que é mais sensato e lógico nos adaptarmos a ela do que tentar outra coisa.
De toda forma, essa assimilação, essa sombra que criamos das pessoas, é apenas uma pequena fração da realidade, ou às vezes nem isso. No caso de uma pessoa, é apenas um aspecto, um lado, um fragmento de quem realmente aquela pessoa representa. A maioria das pessoas vai se contentar em viver "entre as sombras", criando projeções e idéias sobre os outros e sobre si, porém para o mago e a bruxa, eventualmente será mostrado para nós, o quanto essas sombras e projeções que criamos dos outros e de nós mesmos, acabam sendo uma neblina que nos cega e nos atrapalha a chegar ao real objetivo e à evolução que cada indivíduo pode alcançar.
Imagine você querer seguir orientações dos oráculos e realizar trabalhos em cima de névoas e sombras? O que esperar disso? Já não basta entendermos que vivemos em um mundo de pó e que nada é permanente, ainda irão criar sombras em cima do pó?! Provavelmente o resultado será mais confusão e mais tristeza. Não é à toa que muitas pessoas que buscam a espiritualidade acabam se frustrando, achando que sabem o que é melhor para elas, quando ainda estão "tateando no escuro" em uma corda bamba, sem perceber que o abismo está logo abaixo.
Ver a realidade objetiva normalmente não é algo fácil, pois, após dissiparmos a névoa e as sombras, poderemos descobrir muitas coisas ocultas. Creio que seja impossível ver as coisas de uma forma totalmente realista e objetiva, exceto a nós mesmos; porém, tudo que está "fora de nós" a mente sempre vai precisar assimilar de alguma forma. Podemos perceber, por exemplo, que uma pessoa muito negativa com as coisas, na verdade, está apenas projetando seus defeitos, vícios e problemas nos outros, ao invés de corrigi-los por conta própria. Assim como, muitas vezes, percebemos uma pessoa odiando a outra, criticando ou julgando muito alguém, porém ela também está apenas projetando algo que sabe que existe dentro de si, o que é algo totalmente lógico, visto que precisamos saber a "textura e o gosto de algo" para fazer a assimilação correta daquilo, mas é muito mais fácil enxergar o erro no outro, do que em nós mesmos.
Enquanto a pessoa estiver em uma névoa de ilusões, criando sombras ao seu redor ao invés de lidar com os fatos como eles realmente são, ela continuará avançando muito pouco, continuará comparando, julgando ou criticando excessivamente. Não que não seja correto para o homem racional ter esses seguimentos, visto que, para uma vida adulta, eles são mais do que necessários. Todavia, podemos observar a sabedoria daquele que, ao receber uma informação ou notícia, ao invés de sair criticando, julgando e falando como se soubesse muito, tende a se calar e observar com calma para não ser tragado novamente por caminhos que não levarão a nenhuma saída.
Um ponto interessante é observar os indivíduos que possuem esse comportamento: tendem a demonstrar certos sinais de instabilidade mental e emocional regularmente, irritando-se com a verdade e com os fatos, vendo você de uma forma não tão positiva, mas, se você começa a ser ou representar algo que esteja fora da sua familiaridade com a "confortável" neblina e a escuridão – porém, o foco aqui não é identificar essas pessoas no momento.
Então, o primeiro ponto é assumir que você não conhece as pessoas e o mundo de fato e sim uma sombra delas, muitas vezes uma expectativa que você criou sobre elas, e isso pode ser algo muito perigoso. Definindo isso, o segundo ponto seria enxergar as coisas como elas de fato são e, para isso, é necessário entender que, muitas vezes, as coisas são bem mais simples do que parecem. Existe uma teoria que me fascina, chamada "teoria do cavalo morto", que é uma metáfora que busca ilustrar a insistência das pessoas em persistir em algo que não funciona; ao invés de assumir que o cavalo está morto, começam a criar diversas teorias e debates sobre o assunto, tais como: comprar uma nova sela, mudar o cavaleiro, propor um melhor treinamento para o cavalo e até mesmo mudar o conceito de "morto", sendo que, pessoal, sejamos sinceros: o cavalo morreu! Claro que isso acaba sendo apenas uma fração da sombra real, porém já é um importante exercício, talvez diário, talvez constante, a ser realizado.
Por fim, é óbvio entender e aceitar o importante papel que a natureza e a vida trazem para todos de toda forma. A humildade, a paciência e o tempo são muito eficazes também; não existe a necessidade de tudo fazer sentido e ter lógica o tempo todo. Muitas vezes o tempo já pode revelar muitas coisas, assim como a paciência, pois, ao longo das nossas vidas, iremos perceber com certa frequência que, muitas vezes, as coisas não são realmente aquilo que pensamos ou acreditamos, e aceitar isso é uma etapa também importante para essa evolução, para sair desse véu de ilusão.
- John



